Uma vida feita à mão

 

Clique para Ampliar

 

A artista cearense Nice Firmeza chega aos 90 anos e celebra a data com a abertura de uma exposição e com o lançamento de um livro de memórias. O evento acontece, hoje, às 18 horas, no Museu do Ceará

Nice Firmeza é um bom exemplo para desvelar o machismo dissimulado na velha máxima de que, “por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher”. Companheira de Estrigas (Nilo Firmeza, artista plástico e crítico de arte), há mais de 50 anos, ela está ao seu lado, compartilhando projetos e ombreando-o em sensibilidade.

No próximo dia 18, ela chega aos seus 90 anos. E comemora da mesma maneira que seu companheiro o fez, há dois anos: com a abertura de uma nova exposição e com o lançamento de um livro de memórias. A comemoração é antecipada, para prolongar a festa. Às 18 horas, no Museu do Ceará, a artista abre a mostra “Bandeiras da Nice” e participa do lançamento de “Conversas com Nice”, livro de Alberto Rodrigues Soeiro, escrito a partir de entrevistas feitas com a homenageada.

Bandeira

Ao celebrar seus 90 anos, Nice firmeza comprova sua discrição. O conjunto de pinturas exposto é, ele mesmo, uma homenagem: ao pintor cearense Antonio Bandeira (1922 – 1967).

São 28 trabalhos inéditos, produzidos a partir de 1994. Nessa época, Nice decidiu experimentar uma criação que partisse de uma obra já existente – no caso, um quadro de Bandeira, que consta no acervo do Mini-Museu Firmeza, galeria particular dedicada às artes cearenses, aberta ao público, mantida pela artista e pelo marido, no sítio onde vivem, no Mondubim. Os trabalhos recriam e reinventam as imagens não-figurativas de Bandeira, com a delicadeza do uso de cores que marca o trabalho de Nice Firmeza.

Trajetória

Nice Firmeza nasceu em 1921, em Aracati. O padre a batizou apenas com o nome de Maria (só aceitava nomes de santos), mas o Nice que a mãe tanto queria imperou em casa. Mudou-se ainda jovem para a Capital, onde se interessou pela arte. Em 1950, iniciou seus estudos no curso livre de desenho e pintura da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), quando conheceu seu companheiro de longa data, o então odontólogo Estrigas.

Delicada e inquieta, Nice não se contentou com os gêneros das artes plásticas. Se fez artista, também, a partir dos saberes da tradição popular. Doceira e bordadeira (faz “pinturas” com formas e cores ricas de suas linhas), foi nomeada Tesouro Vivo/Mestre da Cultura, pela Secretaria da Cultura do Ceará (Secult).

Memórias
Conversas com Nice
Alberto R. Soeiro

Anúncios