Romeiros festejam centenário de Juazeiro do Norte

Hoje o dia é de louvor. Na terra do “Padim”, a celebração se inicia às 6 horas com missa dos 77 anos de morte do Padre Cícero Romão Batista. A tradição se repete com a Praça da Capela do Socorro repleta de fiéis. Este ano, com um motivo a mais: o Juazeiro que ele adotou como filho, já que nasceu no Crato, completará, em dois dias, 100 anos. Há dois anos, foram iniciadas as comemorações para o centenário da cidade, com os 100 anos da presença da imprensa, com o combativo “O Rebate”. Este jornal teve, em princípio, um caráter libertador, para a tão sonhada independência, num povoado que, em 1909, tinha pouco mais de 15 mil habitantes.

Desde a última sexta-feira que os romeiros começam a chegar na cidade, para participar das comemorações. No dia 20 de cada mês é comum a igreja ficar lotada para a tradicional missa. Mas, no dia que marca a morte de um dos maiores nomes da religiosidade popular do Brasil, a praça fica repleta. A celebração se torna especial, com um palanque armado de frente à capela. Os romeiros vão prestar a sua homenagem e acender velas. Dentro da Capela, no Túmulo de Padre Cícero, a emoção, a homenagem e o agradecimento pela graça alcançada. Objetos são lançados sobre o túmulo, para em seguida serem devolvidos pelas organizadoras. A partir dali, algo sagrado é levado como lembrança para casa.

Restauração

Depois de 42 anos, a estátua do Padre Cícero, com 25 metros, foi restaurada, por fora. O trabalho feito em tempo praticamente recorde, segundo o administrador do Horto, padre José Venturelli, foi concluído no último dia 14 e a estátua foi liberada para visitação permanente no último domingo. Um presente para a nação romeira, depois de anos em que se fala em tombamento pelo Instituto do Patrimônio Nacional e Artístico Brasileiro (Iphan), processo que está praticamente parado, conforme disse o padre.

O monumento entra nos 100 anos da cidade de cara renovada. O trabalho contou com o auxílio de engenheiros, alunos pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (Ifet) e Faculdade de Tecnologia Centec (Fatec). Venturelli destaca a perfeição do trabalho. Em 2010, várias críticas foram feitas por causa da ausência de manutenção da estátua. Algumas rachaduras, especialmente nos dedos, chamavam a atenção. Foram investidos cerca de R$ 80 mil. Metade desse valor foi bancado pela Prefeitura e a outra parte pela Inspetoria Salesiana.

A visitação ao local tem se intensificado. Segundo o secretário de Desenvolvimento, Turismo e Romarias, José Carlos, a romaria para celebração da morte do Padre Cícero tem surpreendido a cada ano pelo grande número de romeiros. E isso inclui, o que antes era uma data mais da cidade e região, fiéis de vários Estados nordestinos.

Para o presidente da Comissão do Centenário, Geraldo Barbosa, esse é um momento em que há a culminância de uma data comemorada de diversas formas, reavivando na memória das pessoas, principalmente os mais jovens, a história de uma cidade que ele considera misteriosa, por ser símbolo de desenvolvimento no Nordeste.

Fonte: Diário do Nordeste